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O plástico é realmente um vilão? Economia circular pode provar que não

Dados e novos conceitos mostram que é preciso mudar hábitos

  11/03/2020 - 18h00min

Seria possível viver sem plástico hoje? A resposta pode parecer óbvia para a maioria das pessoas; já para outras, talvez não. Todavia, o mundo que conhecemos não seria o mesmo sem as inovações que o plástico proporcionou nas últimas décadas. Diante da necessidade latente de substituir outros materiais que estavam quase escassos na natureza, ou inviabilizavam a produção em escala industrial, o plástico surgiu como a melhor opção para o desenvolvimento de novas ideias e produtos. Logo, todos perceberam que ele se tornaria indispensável para a evolução de qualquer setor.

Basta olhar ao redor e perceber que estamos cercados de produtos que são feitos ou possuem grande parte construída em plástico dos mais diversos tipos. Por exemplo: esta matéria está sendo escrita em um notebook cheio de plástico; o teclado, o mouse e o monitor auxiliar também. Sem falar da cadeira e dos materiais de escritório. O plástico está presente em quase tudo do nosso dia a dia, não há como negar. Automóveis, smartphones, eletrodomésticos e uma infinidade de coisas.

Considerado o grande “vilão” da poluição ao meio ambiente, e acusado de matar animais marinhos – principalmente as tartarugas mortas por canudos – caso que se tornou um outdoor para condenar o plástico no mundo inteiro, há, ainda, uma simples, mas importante pergunta a se fazer: como o plástico foi parar lá? O problema é o material ou a forma como ele é descartado pela população?

Além da baixa preocupação em reciclar plásticos, segundo dados da Ellen MacArthur Foundation (EMF), apenas 14% das embalagens de plástico utilizadas globalmente chegam às cooperativas de reciclagem, enquanto 40% são destinados a aterros e um terço são descartados em ecossistemas como oceanos e florestas tropicais. Só o Brasil perde R$ 120 bilhões por ano ao não reciclar lixo; e R$ 5,7 bilhões por ano ao não reciclar resíduos plásticos, segundo levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb)

Economia circular


Então, imagine se em vez de descartar celulares, eletrodomésticos em desuso, esses itens retornassem ao ciclo e pudessem ser reutilizados novamente? Não só aproveitados, mas reinseridos na cadeia de produção? É assim que a chamada economia circular se fundamenta: atuando em oposição à economia linear atual, baseada nos processos “extrair – produzir – descartar”. A economia circular é um novo modelo econômico no qual nada é descartado e todos os elementos da cadeia produtiva são reaproveitados na fabricação de novos produtos, reduzindo a extração de matérias-primas da natureza

A proposta é criar novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação, em um processo integrado. Portanto a economia circular é vista como um elemento chave para promover a dissociação entre o crescimento econômico e o aumento no consumo de recursos.

Somente o interesse de empresas em obter matéria-prima de plástico reciclado, pode fazer com que cresça o número de empresas oferecendo este produto. Uma matemática muito parecida com a de latinhas de alumínio. À medida que cresceu o interesse, além de aprimoramento de tecnologia, as latinhas de alumínio são consideradas um exemplo perfeito de manufatura de economia circular. Portanto, o maior desafio é fazer com que as pessoas pressionem as próprias empresas a adotá-la.

No entanto, enquanto isso não ocorre, façamos a nossa parte em realizar processos de separação não só dos plásticos, mas também dos vidros, metais, papéis etc., para encaminhá-los à melhor alternativa atual para o problema da poluição causada pelo lixo: a reciclagem.