Ex-zagueiro é

a memória viva

sá viana

A cachorrinha Piti chega primeiro. É uma pinscher velhinha, 12 anos, mas ainda com energia. Atrás, a passos lentos, vem Alcebíades Antunes Pereira, o Seu Bide, 79 anos. Um rapaz na entrada do Estádio Parque dos Álamos, em Uruguaiana, faz barulho com martelo e furadeira.

– Chega de bagunça aqui, agora vou dar entrevista, quero silêncio. Vou virar astro – brinca Bide.

A gargalhada de quem está perto é geral. Todos conhecem o bom humor do homem que preside o Sá Viana, time que se orgulha de ter levantado a taça da Segundona em 1952 e de ter participado da divisão principal em 1972 e 1976.

Bide sabe tudo do Sá Viana (nome que homenageia um jurista brasileiro que morou na vizinha Argentina). Sempre pede um tempinho para recordar dos detalhes, mas as lembranças chegam logo. Questionado sobre os ídolos, já vai dizendo:

– Demoro, mas lembro. O Leo Gomes, o Guspida, o Mugica, o Bentevi. Uma turma boa passou por aqui.

Sempre com a cachorrinha Piti por perto, Bide mostra o estádio. O campo não está dos melhores. Há pouca grama. O clube hoje aluga seu espaço à escolinha de base do Grêmio.

– É uma forma de deixar o futebol aceso.

E garantir vida para o clube. Além do aluguel do campo, a mensalidade dos sócios das piscinas – duas normais e uma térmica – assegura renda necessária para pagar quatro funcionários e manter a estrutura.

– Nos viramos, a missão é complicada, mas damos um jeito aqui, outro ali – afirma Maria da Graça Prestes Pereira, a nora de Bide, que trabalha como diretora administrava no clube.

Pernas cambotas, Bide hoje caminha com dificuldade. Os joelhos não ajudam mais. Zagueiro do Sá Viana de 1956 e 1961, passou por cirurgias que terminaram mais cedo sua carreira.

– Uma pena, jogava direitinho. Agora me divirto vendo a gurizada treinar. Todos os dias dou uma passada no clube. Enquanto caminhar, tiver o mínimo de saúde, estarei aqui, firme para deixar a história do Sá Viana viva.

Seu Bide (com a pinscher Piti), ex-zagueiro e atual presidente do Sá Viana, de Uruguaiana

 

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a memória viva