A zaga que jogava

“a la muerte”

dínamo

No dia 2 de setembro de 1991, o caderno de Esportes de ZH noticiava a façanha do Dínamo. A goleada por 3 a 0 sobre o Lajeadense, gols de Beto (dois) e João Luiz, garantiu ao time a liderança do Gauchão em seu primeiro ano na Série A. O jogo, pela quinta rodada, no Estádio Carlos Denardin, é considerado um marco do futebol profissional de Santa Rosa.

A braçadeira de capitão do Dínamo estava com Luiz Fernando Rabuske, o Salsicha, um vigoroso zagueiro que defendeu o clube por oito anos. O apelido ele ganhou ainda jovem, pelo biotipo longilíneo (1m95cm).

Fundado em 1970 por José Emilio Kruel, o Tuca, o Dínamo começou sua história disputando campeonatos de várzea e regionais. Na década de 1980, virou profissional. Em 1987, faltou apenas um ponto para subir à Série A.

Em 1991, o acesso não escapou. A equipe só precisava empatar com o São Gabriel fora de casa, mas aos 42 minutos do segundo tempo, João Luiz, o maior artilheiro da história do Dínamo, marcou o gol da vitória. Em Santa Rosa, os jogadores foram recebidos com festa e carreata. No mesmo ano, o clube já jogou a Primeira Divisão.

– Quando um clube sobe, precisa de estrutura financeira. Deu certo naquele momento porque a cidade abraçou – recorda Salsicha.

A defesa forte e o fator local eram as virtudes do Dínamo. Com João Batista – e outras vezes com Caçula –, Salsicha formou dupla temida no Interior.

Luiz Rabuske, o Salsicha, era capitão do Dínamo

– Nós só chegávamos junto – brinca o capitão, descartando a fama de violento. – Os atacantes adversários ficavam com dor de barriga quando iam jogar contra a gente (risos), muitos inventavam lesões. Uma vez, um argentino me falou que jogávamos no estilho castelhano, a la muerte (a morrer).

Também é orgulho para o Dínamo ter formado o ex-zagueiro Argel, hoje treinador, e o atacante Roberto Gaúcho, com passagem exitosa pelo Cruzeiro nos anos 1990. Só que os anos de sucesso do Dínamo foram curtos. Dívidas com o INSS fizeram o clube encerrar as atividades em 1994. Três anos depois, ex-jogadores, entre eles Salsicha, fundaram o Juventus de Santa Rosa, que jogou profissionalmente de 1997 a 2012. Em 2011, o time ficou entre os quatro melhores da Divisão de Acesso e, por pouco, não subiu. Logo também fechou as portas. Hoje, a esperança de a cidade ter novamente um time profissional recai sobre a SER Santa Rosa, que disputou o Estadual de Juniores em 2016.

– Santa Rosa é polo mecânico e tem poderio financeiro, mas quem tem dinheiro não investe em esporte – lamenta Salsicha.

– A cidade não teve até hoje outro time que chegasse aonde o Dínamo chegou – diz o professor aposentado, Atanagildo Rorato, 62 anos, que virou uma espécie de historiador da equipe: em seu computador, guarda fotos, fichas e documentos.

Troféus e camisetas da equipe, porém, sumiram. O Estádio Carlos Denardin, que é municipal, segue em boas condições. Ao visitar o palco dos triunfos da equipe, o capitão Salsicha sentenciou:

– Os jogadores tinham amor pelo clube. Aqui

em Santa Rosa, era difícil a gente perder. Até hoje

o torcedor não esquece o que a gente fez.

Pedaços

da memória

túnel

do tempo

A zaga que jogava

“a la muerte”